A história da Península Ibérica é fortemente marcada pela influência dos séculos de ocupação moura, e o trovadorismo é a expressão européia desta origem. As caravelas que cruzaram o Atlântico a partir do século XVI trouxeram para a América os ibéricos portugueses e espanhóis, que já tinham a alma impregnada pela cultura árabe, além dos mouros que embarcavam juntos em grandes quantidades e em todas as expedições que partiram de lá pra cá.

Poetas brasileiros receberam esse conhecimento e fizeram dele influência na sua produção de poesia, a exemplo de Gregório de Matos e Claudio Manuel da Costa, entre outros impregnando também a cultura brasileira.

No Brasil, a poesia adquiriu lugar na cultura popular com as obras de Agostinho da Costa, considerado o pai da Poesia popular, e da Serra do Teixeira no estado da Paraíba, Silvino Pirauá e Leandro Gomes de Barros. Este ultimo e outros poetas impulsionaram a construção do Cordel como é hoje, que só é qualificado legitimamente pelo volume de suas obras sempre em sextilha (6x6), decassílabo (10x7), ou em sétima também conhecida como redondilha maior (7x7), justificando assim a defesa de um grupo de poetas brasileiros que acredita que a origem do Cordel foi com Leandro Gomes de Barros.

Do Brasil Colônia até hoje o Cordel se multiplicou na sua diversidade de formas e o grupo acima citado não aceita que poetas como Patativa do Assaré, Jorge Mello (que também é repentista e estudioso e também defensor de que todas as formas publicadas em folhetos são cordéis), Jairo Mozart, Oliveira de Panelas, Zé da Luz, os irmãos Otacílio, Dimas e Lourival Batista e tantos outros possam ser chamados de Cordelistas, não sei porque eles não consideram tantas outras formas populares cultuadas pelos repentistas e publicadas em folhetos, já que os ibéricos que aqui chegaram trouxeram dezenas de formas.

A literatura de Cordel – forma tradicional de comunicação – ainda resiste impar nos costumes. Na forma escrita ou cantada pelas dezenas de formas que aqui chegaram com os ibéricos no Brasil Colônia como Repente, Martelo Alagoano ou Pé de Parede, Quadrão Mineiro, Oito Pés a Quadrão, Oitavão Rebatido e Gemedeira e muitas outras, discute temas ligados a religião, política, amor e movimentos sociais. Todas as formas têm como essência as técnicas milenares. Eu sou um entre muitos poetas populares que transmitem a professores de primeiro, segundo e terceiro grau essas técnicas e essas formas para que sejam aplicadas em sala de aula como fixação de conteúdo em qualquer matéria, e posso afirmar que temos excelentes resultados.

A expressão artística e cultural de um povo é viva e por esta razão evolui, tanto em suas formas como nas novas gerações de artistas e poetas populares que tiveram a oportunidade de ter melhor aprendizado em escolas e universidades sem deixar de respeitar os que nos antecederam que eram ou são rudes e com pouca ou nenhuma escolaridade falando no linguajar popular, mas com tanta sensibilidade a ponto de chamar a atenção do Sociólogo, Folclorista, Psicólogo Social, Historiador e Escritores.


Jairo Mozart é músico, compositor, artista plástico, escritor e cordelista.